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O Caminho para o inferno pavimentado de boas intenções: Bolsonaro e o Liberalismo

O liberalismo de esquerda vive de comemorar qualquer “política social” como vitória. Assim foi com a fatídica aprovação do auxílio emergencial de R$ 600 há alguns meses. Aprovação que contou com a participação decisiva da bancada parlamentar progressista (PSOL, PT, PDT, PCdoB e assim por diante). O governo lançou um projeto de auxílio de R$ 200, a bancada progressista elevou o valor para R$ 600 (péssimo, já que não tiveram a ambição de solicitar o salário mínimo necessário do Dieese de R$ 4 mil), Bolsonaro não vacilou e aprovou R$ 600. Alguns meses depois disso, a popularidade do governo salta do seu piso de 30% e atinge quase 40%. Grande parte desse salto, concentrado nos beneficiados pelo auxílio.

É preciso entender que a política não pode ser conduzida pela moral. Se nós, enquanto militantes de esquerda, temos um compromisso ético com a classe trabalhadora (inclusive nos sensibilizando diante da pobreza que brutaliza parte dos brasileiros), não podemos ser ingênuos na disputa política que hoje atravessa a sociedade brasileira. Bolsonaro está ampliando sua popularidade sobre basicamente dois estratos sociais com enorme abrangência no nosso país.

Em primeiro lugar, conquistou o apoio de parte expressiva da pequena burguesia decadente em função do avanço dos monopólios capitalistas. Agora, conquista o apoio dos mais pobres e desesperados diante da crise do emprego. Para isso, utiliza do auxílio emergencial como peça central da ampliação de seu enraizamento na pobreza.

Isso não é novidade. Historicamente é assim que a política é trabalhada no Brasil. Ganha o apoio da dos mais pobres quem está de posse do Estado e tem capacidade operacional de efetivar políticas focalizadas de enfrentamento da pobreza, receitadas inclusive pelo Banco Mundial.

Até mesmo a base social do petismo, especialmente no Nordeste e nas periferias das grandes cidades, está e continuará sendo corroída pelo avanço de Bolsonaro como chefe do Executivo. Ledo engano quem avaliar o contrário, os dados já demonstram esse movimento em pleno curso.

Por isso mesmo, a esquerda urgentemente precisa centrar sua pauta nos setores da classe trabalhadora organizados ou passíveis de serem organizados. Entre eles, os trabalhadores explorados pelos setores monopolistas, os trabalhadores do setor público cada vez mais atacados pelos governantes e a juventude proletarizada e sem perspectiva de futuro.

Estes setores não se beneficiam do auxílio emergencial e de nenhuma outra política focalizada e, de outro lado, estão sendo diretamente atacados em suas condições de vida e trabalho por conta da necessidade de ampliação da taxa de lucro por parte dos monopólios.

Não adianta termos apenas boas intenções diante do abismo social que se aprofunda no país. Uma esquerda consequente precisa ter direção estratégica clara e consciência de que a política não pode ser conduzida pela moral. Como já coloquei no título, o ditado popular é elucidativo: “o caminho do inferno é pavimentado de boas intenções”. E o cheiro de enxofre de um governo com intenções claramente fascistas e que amplia seu apoio popular já começa a invadir nossas narinas.

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