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Frigoríficos de Santa Catarina: Indústria da Morte de Trabalhadores

Publicado originalmente em 2 de Junho de 2020

Nas últimas semanas, o Oeste do estado virou o novo epicentro de contágio do Coronavírus. A razão por trás disso? A decisão do governador Carlos Moisés de flexibilizar a quarentena com a sua “liberação geral”, que resultou diretamente na rápida proliferação do vírus nos frigoríficos da região.

Considerado serviço essencial, a pedido do Ministério da Agricultura de Jair Bolsonaro, o setor de carnes não parou as atividades no país — mesmo com a aglomeração de trabalhadores nas linhas de produção, tornando-se um grande foco de transmissão do vírus entre os funcionários e suas famílias.

A burguesia industrial, cumprindo seu dever de classe dominante, não mediu esforços para que as atividades continuassem. Afinal, para o grande empresário pouco importa o bem estar de seus funcionários. A mão-de-obra dos trabalhadores doentes e mortos pode ser trocada com facilidade, o que não pode ser dito sobre os bilhões de dólares que a exportação de carne traz para as mãos dos poucos possuidores dessas empresas.

A atividade demanda também, além de muita mão de obra, o deslocamento de pessoas de uma cidade para outra nos ônibus das empresas. Isso gera ainda mais aglomeração e impossibilidade de conter o contágio, o que se mostra evidente nos dados da Secretaria de Saúde do Estado. As duas cidades com maior número de casos são justamente as que apresentaram grandes taxas de contágio partindo de frigoríficos das multinacionais JBS e BRF. Até ontem (01/06), Concórdia contabilizava 931 casos e, Chapecó, 925.

É evidente que os industriais buscam apenas evitar custos com a mínima proteção dos trabalhadores de suas fábricas, potencializando ainda mais a disseminação da doença. No último sábado (30/05), o Ministério da Economia de Bolsonaro autorizou a retomada das atividades da unidade da JBS em Ipumirim, nos arredores de Concórdia, que havia sido interditada em março. A reabertura contou com brados do governador a celebrar a importância do setor para a economia, sem se importar com os trabalhadores contaminados e mortos, uma atitude típica do defensor do grande empresariado de costas para o povo.

A região do Grande Oeste conta com apenas 130 leitos de UTI, sendo que a taxa de ocupação já é de 63,1%. Para onde irá o resto das pessoas infectadas? Simples: o destino acabará sendo o litoral, já que a Grande Florianópolis é a região do estado com maior capacidade de leitos livres (51,5%).

Essa é a política que cerca Santa Catarina: o empresariado contra a massa da classe trabalhadora, ceifando vidas em nome do capital. Enquanto não mudarmos a estrutura que está posta, seguiremos vendo mais e mais trabalhares sucumbirem.

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