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Gean Loureiro: O Prefeito Defensor da Saúde?

Texto originalmente publicado em 03 de abril de 2020

Na última semana, o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, ganhou projeção pública nacional em relação ao enfrentamento à pandemia do coronavírus – Covid-19. Apresentou-se, de forma hipócrita, como o defensor da saúde da população contra o protofascista Jair Bolsonaro. Baseado em uma estratégia de mídia competente, o prefeito que destruiu a saúde pública da cidade em quase quatro anos de gestão, passou a se apresentar como o “Dráuzio Varella de Floripa”. Grande hipocrisia do prefeito loroteiro!

Em primeiro lugar, é preciso ter claro o essencial: as medidas de isolamento social, acertadíssimas, visam dilatar e diminuir o pico da curva de manifestação da doença. Ao fazer isso, ela reduz a pressão sobre o sistema de saúde do país, do estado e do município. Ou seja, a medida visa retardar a proliferação do Covid-19 e evitar que faltem respiradores mecânicos e UTIs para a população. Lembrando, as pessoas não morrem apenas de Covid-19, mas de qualquer enfermidade que encontre um sistema de saúde superlotado.

Assim sendo, o essencial aqui não é apenas o isolamento social, mas também e prioritariamente, a capacidade do sistema de saúde pública atender ao povo. Se Gean loroteiro acertou no isolamento e se apresentou como “racional” diante da Idade Média representada por Bolsonaro, qual a posição do prefeito durante seus quase quatro anos de gestão em torno do sistema de saúde?

Aqui cai a máscara humanitária de Gean. Em primeiro lugar, Floripa tem tido um crescimento considerável de sua população idosa, com idade acima dos 60 anos. Se em 2013 essa faixa representava 14% da população, em 2018 ela saltou para 18%. Isso, por óbvio, demanda maior investimento em saúde. Entretanto, no mesmo período, desde o prefeito César Sousa e tendo continuidade com Gean, o gasto com saúde tem permanecido estagnado na cidade, tendo queda em sua participação no gasto total de 20,25% para apenas 17,26%. Esse dado, no entanto, não aparece no vídeo de autopromoção do prefeito.

Mas não é só isso. Além da capacidade instalada de atendimento da saúde, outro fator decisivo para enfrentar o Covid-19 é o grau de centralização, organização, treinamento, condições salariais e de trabalho e capacidade de atuação das equipes de saúde e limpeza que atuam no município. Nesse quesito, qual foi a prática de Gean enquanto prefeito?

Nada de responsabilidade com a saúde. Com base em muita bomba de gás lacrimogêneo e spray de pimenta contra os trabalhadores do município, o prefeito e sua Câmara de Vereadores amplamente corrompida aprovaram o projeto “Saúde Já”, que tinha o seguinte texto em sua fundamentação:

“Fomentar a descentralização de atividades e serviços desempenhados por órgãos ou entidades públicas municipais, mediante a participação de pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos, incluídas associações civis e fundações privadas de igual natureza […].”

Ou seja, Gean aprovou o “libera geral” para a entrada das Organizações Sociais privadas na saúde do município. Em termos mais claros: a privatização e terceirização na saúde. Isso implica em, na contramão do necessário para enfrentar o coronavírus, piora significativa nos últimos anos de todas as características necessárias para se construir um bom sistema de saúde na cidade.

O resultado desses anos todos com esse acúmulo de medidas anti-povo, é o sucateamento da saúde pública que aparece agora na pandemia. Os profissionais da saúde e limpeza, que de forma heroica colocam suas vidas em risco na defesa da vida da população, atuam hoje em um sistema desorganizado, com falta de equipamentos de proteção individual, com sobrecarga de trabalho, sem remuneração adequada e, em virtude de tudo isso, acumulando doenças físicas e, especialmente, psicológicas.

Por isso, chega de marketagem, prefeito! É mentira que você é um defensor da saúde. Você atuou ano após ano na destruição da saúde do município. Ao invés de recursos para a saúde, em meio a crise, aprova R$ 100 milhões em dívida para fazer “asfaltaço” pensando na reeleição. Não adianta divulgar vídeo nacionalmente para se vender como um bom moço. Não passa de mais um politiqueiro com uma boa equipe de marketing que quer entregar a vida do povo na mão dos bilionários e dos superlucros, igual a todos os outros!


Fontes:

IBGE – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua anual
Secretaria Municipal da Fazenda – Prefeitura de Florianópolis
Tesouro Nacional – Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público

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