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O Breque dos Aplicativos

Publicado originalmente em 29 de Junho de 2020

Essa semana teremos uma data importante para a classe trabalhadora. Será a data onde ocorrerá o breque dos aplicativos, uma paralisação nacional de trabalhadores de apps como Ifoods, UberEats e Rappi. Dei entrevista sobre o tema na semana passada para a Folha da Cidade, onde discuti com a jornalista Míriam Santini de Abreu o potencial e as armadilhas deste incipiente movimento de trabalhadores do transporte.

A paralisação eclode por conta do grande aumento da jornada de trabalho destes trabalhadores que decorre da queda significativa da remuneração que recebem por corrida – já em 2019, um trabalhador por “conta própria” estava recebendo 1/3 do salário de um empregado tradicional.

Esse é o efeito imediato do aumento do exército industrial de reserva em uma economia em crise como a brasileira. São milhões que aumentam a fila do desemprego e, por conta disso, procuram a saída da exploração por meio dos apps. Não à toa, só o Ifoods teve um incremento de 175 mil novos trabalhadores cadastrados desde o início da pandemia.

Assim opera a lógica capitalista concorrencial da oferta e da demanda. Quanto mais trabalhadores disponíveis, mais reduz seu preço de mercado. A saída, desde a origem do movimento operário no século XIX, só pode ser a superação da concorrência por meio da organização de trabalhadores. É organização que supera concorrência.

Primeiro, a luta sindical, que visa romper a guerra de todos contra todos e instituir a guerra das categorias trabalhadoras contra seus exploradores imediatos: os monopólios transnacionais. Depois e em conjunto, a organização partidária, que entende o limite da mera organização sindical e orienta as lutas no sentido da inexorável revolução social. Uma forma de organização não existe sem a outra, e quando uma entra em crise, arrasta a outra consigo.

Por isso mesmo, esta paralisação é importante independentemente dos seus resultados imediatos. Demonstra na prática o movimento histórico da classe. Para uma categoria nova como os trabalhadores de apps – as empresas de aplicativos entraram no Brasil em 2012 -, uma organização incipiente mas com grande potencial.

Não podemos apenas esquecer o central: a luta dos trabalhadores é muito mais ampla. O breque dos apps não pode fazer esquecermos o fato que milhões de outros trabalhadores das fábricas (agroindústrias, têxteis, químicas, montadoras, papel e celulose etc.) e do transporte de capital constante (caminhoneiros), estratégicos dentro da acumulação capitalista, encontram-se sem qualquer orientação política.

Esse breque deve orientar também a denúncia ao imobilismo que existe dentro dos demais setores sindicais. Ficar apenas laureando o “precariado” por supostamente ser o mais explorado, é esquecer que os frigoríficos e as fábricas estão contaminando todo o Brasil com o Covid-19. Por isso mesmo, essa paralisação importantíssima tem uma tarefa fundamental a conquistar: pautar a greve geral de todos os trabalhadores brasileiros em defesa de suas vidas e contra a exploração capitalista.


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