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O estupro de mulheres e crianças como arma da acumulação capitalista

Publicado originalmente em 9 de Maio de 2022

A violência contra as comunidades indígenas Yanomami pelo garimpo que invadiu suas terras chamou atenção no último período pelo alto número de assassinatos, desaparecimentos e estupros. Nas últimas semanas circularam várias notícias, incluindo o chocante estupro de uma menina de apenas 12 anos, cuja morte levou a uma denúncia que resultou no desaparecimento de uma aldeia inteira. Não é uma coincidência que meninas e mulheres sejam alvos de garimpeiros e fazendeiros em todo o interior do país: atacar mulheres é um recurso histórico de destruição de suas famílias e comunidades, visando a apropriação capitalista das poucas terras ainda não subjugadas pelo agrobusiness e pela mineração, para os quais o governo Bolsonaro tem sido tão subserviente.

Nada existe de novo no panorama da violência na fronteira exploratória capitalista contra comunidades indígenas e menos ainda contra mulheres e meninas. O relatório de 2021 da Hutukara Associação Yanomami mostra que, desde o início da mineração dentro das terras Yanomamis, mulheres e meninas têm sido exploradas e violadas sexualmente. Ora através da imposição de “favores sexuais” nas permutas por comida após os garimpeiros destruírem as plantações e meios de vida das comunidades, ora nos frequentes estupros, assédios e ameaças contra as meninas e crianças. Em todos os cenários, a violência sexual nas suas várias nuanças, do assédio ao estupro, é uma constante.

A exploração e a violência sexual historicamente presentes nas regiões de garimpo também não é novidade. Apesar do dizer popular de que nem a terra nem as mulheres são território de conquista, a realidade que se apresenta é oposta quando ambas têm sido subjugadas e exploradas com a mesma selvageria, especialmente no capitalismo dependente de raiz colonial.

Nesse contexto, não existe emancipação das mulheres dentro das garras do capital, menos ainda por uma via exclusivamente representativa. Lutar pelo fim desse ciclo de violência e exploração precisa se dar no interior da luta revolucionária pelo fim do capitalismo e pela construção de uma profunda reforma agrária e da emancipação da classe trabalhadora em sua totalidade.

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