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Pobreza sobre duas rodas: a correria da classe trabalhadora brasileira

Publicado originalmente em 14 de Abril de 2022

Ontem, assisti enojado no Jornal Nacional uma matéria sobre o crescimento de 76% no emplacamento de novas motos e a queda de 23% no de carros. O Jornal fez questão de tratar o fenômeno por seu lado “positivo”. A moto é mais rápida, mais barata, mais econômica, disse a detestável matéria jornalística. Absolutamente nenhuma palavra sobre a origem de tal dado alarmante: o empobrecimento generalizado da classe trabalhadora brasileira e as novas relações de trabalho baseadas na famosa “correria do bico”. Nenhuma referência sobre a consequência de tal cenário: ampliação dos acidentes graves e fatais nas agressivas ruas e avenidas das cidades. Enfim, mais uma matéria chapa branca voltada para alienar a população.

O dado não é motivo de comemoração, mas sim sintoma de decadência material da sociedade brasileira. A matéria esconde que as montadoras de automóveis, diante do empobrecimento dos trabalhadores, estão encerrando a produção de veículos populares, vide o caso do fechamento da fábrica da Ford que produzia o Fiesta. Esconde que quem compra novas motos não são apenas motoboys, mas sim majoritariamente professores temporários que dão aula em mais de 3 ou 4 escolas ao mesmo tempo, trabalhadores da saúde que trabalham em 2 ou mais hospitais e unidades de saúde, operários que moram longe do trabalho e buscam os “corredores” das avenidas para chegar mais cedo em casa e ficar com suas famílias.

O Brasil perde em todas as pontas. De um lado vê fechar o último setor industrial com real capacidade competitiva no mercado mundial, rebaixa-se ainda mais a um mero exportador de commodities. De outro, vê a população trabalhadora, já arrebentada pela perda de direitos, pelo desemprego em alta e pela inflação crescente, ser jogada na máquina de moer gente que é o trânsito das cidades. Mudar tudo o que está aí passa por acabar com esse oba oba embasbacante do jornalismo oficial, é preciso transformar todos os fatos da correria do cotidiano em luta e organização. O rumo? Revolução e socialismo!

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